O que as pessoas pensam quando precisam de terapia nos relacionamentos?

Quando falamos em terapia nos relacionamentos, muitos imaginam que o relacionamento está prestes a terminar. É como se buscar ajuda fosse um sinal de que o amor acabou, um aviso de que, se não fosse por aquela intervenção, o fim seria inevitável. “A terapia é o último recurso antes do término”, dizem alguns, como se o simples fato de recorrer a um profissional significasse que a relação está condenada. Mas, como psicólogo, posso mencionar: a terapia nos relacionamentos não é o fim. Ela é, na verdade, um convite ao recomeço, uma oportunidade de aprender e crescer juntos.

Muitas vezes, quando os casais chegam no consultório, estão esgotados. Já tentaram de tudo: conversas intermináveis, promessas de mudança, resoluções que logo se dissipam. E, ainda assim, os conflitos persistem. Eles chegam acreditando que, talvez, a única solução seja terminar. Mas, quando nos aprofundamos, vemos que não é o relacionamento que está falido. O que está quebrado, muitas vezes, são os padrões de comunicação.

A terapia nos ensina que nossos pensamentos influenciam profundamente nossas emoções e comportamentos. E, no caso dos casais, muitos desses pensamentos estão distorcidos. “Ele nunca vai mudar”, “Eu sempre sou a culpada”, “Nada do que fazemos vai dar certo.” Esses pensamentos automáticos alimentam o ciclo de frustração e desconfiança. O que muitos casais não sabem é que, ao trabalhar esses pensamentos na terapia, é possível criar um novo padrão de interação. E, ao mudar a maneira de pensar, muda-se a maneira de se relacionar.

No consultório, uma das primeiras coisas que trabalhamos é a comunicação. Quando os casais chegam até mim, muitas vezes estão se comunicando de maneira errada. Em vez de ouvir, acusam. Em vez de entender, se defendem. Em vez de buscar soluções, ficam presos nas acusações e no rancor. Usamos técnicas para ajudá-los a expressar suas necessidades de forma clara, sem culpa ou julgamento. A reestruturação cognitiva auxilia a substituir crenças disfuncionais, como “estamos sempre em desacordo”, por pensamentos mais realistas.

A terapia nos relacionamentos, longe de ser um último recurso, é um treinamento. Um treino para aprender a falar, ouvir e, principalmente, entender. Ensinar os casais a se expressarem de maneira construtiva e a resolverem os conflitos de forma saudável. A terapia não é só sobre “salvar” o relacionamento, mas sobre dar as ferramentas para que ele se torne mais forte e mais satisfatório.

No meu consultório, vejo casais se desconstruindo. Eles começam a entender que os problemas não são “do outro”, mas, muitas vezes, padrões repetitivos que ambos alimentaram. O trabalho não é fácil e exige esforço de ambas as partes. Mas, quando, ao final do processo, vejo casais mais conectados, mais dispostos a ouvir e a se apoiar, é claro para mim: a terapia não foi o fim, mas o verdadeiro recomeço.

E é assim que a terapia nos relacionamentos deve ser vista. Não como um sinal de fracasso, mas como uma oportunidade de recomeçar. De dar ao relacionamento o que ele precisa para prosperar, e não apenas sobreviver. Quando um casal busca ajuda, eles estão se permitindo aprender, crescer e se reinventar. Eles não estão desistindo do amor, estão investindo nele.

Nos últimos anos, a busca por terapia online tem crescido no Brasil e nos Estados Unidos. A flexibilidade de horários e a possibilidade de encontrar terapeutas especializados, independentemente da localização geográfica, são fatores que impulsionam essa tendência. No Brasil, muitos casais ainda têm receio de iniciar a terapia, mas cada vez mais pessoas estão percebendo que essa é uma ferramenta acessível e eficaz para melhorar os relacionamentos. Já nos Estados Unidos, a terapia de casal online (buscada no Google como “Terapia de Pareja Online“) é uma prática bastante difundida.

Portanto, se você se encontra em um momento difícil em seu relacionamento, lembre-se: procurar ajuda não é um sinal de que algo deu errado. Pelo contrário, é um sinal de que você e seu parceiro estão dispostos a fazer o que for preciso para dar ao relacionamento uma chance de florescer. A terapia nos relacionamentos não é o fim, é o recomeço e, com as ferramentas certas, pode ser o começo de um amor mais forte, mais maduro e mais duradouro.

Compartilhar: